Análise de Risco

 

O desenvolvimento da análise de risco seguiu as recomendações propostas por Aquatic Nuisance Species Task Force na revisão dos processos de análise de risco para organismos aquáticos não nativos em geral (Risk Assessment and Management Committee 1996). Foram feitas adaptações a esta estrutura direcionando a análise aos processos de invasão relacionados aos escapes oriundos da piscicultura.

 

Etapa 1: Criação de uma lista com as espécies não nativas. Para isto foram realizados levantamentos das espécies presentes nos cultivos da região através de contato com órgãos de extensão agropecuária, como Emater e Fepagro, produtores de alevinos e empresas de comércio agropecuário.

 

Etapa 2: Avaliação da via de introdução das espécies. Determina a pressão de propágulos a que o ambiente está exposto. Foi feita uma quantificação dos cultivos presentes na região de estudo, identificando-se o tempo de cultivo, a distância relativa a corpos d’água, e histórico de eventos de fuga de espécimes cultivados. A quantificação foi realizada através dos dados da Emater e de outras fontes que possam vir a ser identificadas. Foram realizadas visitas a produtores para confirmação dos dados e obtenção de informações complementares.

 

Etapa 3: Avaliação de risco da espécie exótica. O modelo de avaliação de risco é dividido em dois componentes: a “probabilidade de estabelecimento” e as “conseqüências do estabelecimento”. O primeiro componente está relacionado a probabilidade do organismo chegar ao ambiente através da via em questão, sobreviver e ser introduzido, colonizar e estabelecer uma população e dispersar além da área colonizada. Já o segundo componente está relacionado aos possíveis impactos ambientais, econômicos e sociais/influência política.

Para determinar o potencial invasivo das espécies foi desenvolvida uma análise baseada no protocolo proposto por Copp et al. (2005) que investiga uma vasta gama de atributos relacionadas a biogeografia, histórico, biologia e ecologia das espécies. Ao modelo foi adicionada a metodologia proposta por Copp et al. (2009), a fim de incorporar dados de confiança à análise. Para tal, cada espécie analisada foi submetida a dois avaliadores distintos. Para a classificação do risco potencial da espécie, foi utilizada a média dos escores atribuídos por cada avaliador. Quanto ao grau de certeza das respostas dadas, foi acrescentado um escore a cada resposta, sendo 4 = muito certo e 1 = muito incerto.

As espécies com alto potencial invasivo foram avaliadas quanto a probabilidade de sucesso em cada estágio de invasão, sendo: estabelecimento, dispersão e impacto.

Para a análise de determinação da probabilidade de estabelecimento e dispersão foi desenvolvida uma metodologia que associa características apresentadas pelas espécies (variáveis reprodutivas, composição da dieta, tolerâncias ambientais, características biológicas) (kolar & Lodge 2002, Marchetti et al. 2004a, Marchetti et al. 2004b, Ruesink 2005) com modelos de nicho ecológico, que utiliza softwares para comparar parâmetros ambientais (Peterson 2003, Kolar 2004, Chen et al. 2007), além de outros fatores, como histórico de invasão, pressão de propágulo e interesse humano (Moyle & Marchetti 2006, Ribeiro et al. 2008).

A análise de impactos das invasões abordou as conseqüências ecológicas, utilizando-se o histórico dos impactos da introdução e/ou estabelecimento da espécie em outros locais. Segundo Ricciardi (2003) o histórico de impacto de uma espécie é um valioso guia para previsões das conseqüências da introdução de uma espécie no novo ambiente. Outras características podem ser somadas a esta, como o interesse humano pelo uso da espécie, tolerâncias fisiológicas, data de introdução, características biológicas (kolar & Lodge 2002, Marchetti et al. 2004a, Marchetti et al. 2004b, Ribeiro et al. 2008).

 

Etapa 4: Caracterização do Risco e Recomendações. O risco de invasão de uma espécie é caracterizado pela somatória da avaliação de risco do organismo (probabilidade de invasão do organismo nas diferentes fases da invasão e as possíveis conseqüências) e da avaliação de risco da via de introdução (pressão de propágulo)

 

As análises resultarão em Mapas de Risco, construídos com base em um Sistema de Informações Geográficas. Para o desenvolvimento do SIG foi utilizada a Análise Multicritério (Miranda 2005). Os critérios considerados foram: pressão de propágulo, probabilidade de a espécie ser invasora, semelhanças ambientais do local de origem e receptor, características ambientais do local receptor, limites de tolerância ambiental das espécies, além de outros fatores que venham a se mostrar importantes durante a análise de risco. Cada critério definido recebeu um peso (valor) e foi padronizado. A etapa final foi de sobreposição dos critérios numa base de dados cartográficos utilizando software livre Spring 5.1.